Que as lembranças sejam sempre asas nunca correntes …

post 1120

As nossas memórias são recantos traiçoeiros. Onde a verdade, emoção e sentimento é só nosso.  Onde existe um certo romantismo. Onde insistimos em recordar as partes boas e melhorar as ruins.

As nossas lembranças são boas ou más, as insignificantes não ficam esquecidas só adormecidas e que podem reaparecer para nos equilibrar o bom senso. A nossa mente faz um trabalho de certa forma poético ao tentar proteger-nos dessas (re)vivências traumáticas, aprimorando-as ou apagando-as.

A nossa história traz-nos cheiros, toques, sons e sabores. Traz-nos visões de lugares e sonhos que pintam de cores nítidas as nossas saudades ou receios. Que explica essa nostalgia que permeia a nossa infância como doce e feliz.

As nossas recordações são o ponto fulcral para moldarmos o nosso futuro. O que nos acontece ajusta a nossa visão do que está para vir e a noção que temos de nós e dos outros.

Não somos reféns do que foi. A verdadeira possibilidade de mudança está apenas no presente. Que as nossas lembranças sejam sempre asas nunca correntes …

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Palavras que encantam, palavras que envenenam

post 1034

Na nossa vida e com o passar do crescimento ouvimos e retemos de tudo. Há palavras que nos elevam, que nos ajudam, que nos fazem crescer e nos tornam melhores. E há palavras que nos magoam, que nos marcam, que nos fazem duvidar e nos destroem.

As palavras e quem as profere podem ser armas perigosas. Há pessoas em quem acreditamos e aquilo que nos oferecem pode semear o bom e o mau. O acreditar ou a dúvida. A certeza ou a hesitação. A segurança ou a inseguridade em nós mesmos, nos nossos actos, nas nossas lutas e na nossa essência.

Faz bom uso do bem-querer, do ajudar a crescer, do apoiar sem destruir, do suster sem julgar, do elogiar com a verdade e do amparar e amar.

Vai e em vez de arremessares só flexas, lanças e maus julgamentos, fomenta a construção, a aprendizagem e o amor.

O espelho da nossa valorização

post 901

Quando tudo corre bem na nossa vida acreditamos no nosso valor. Acreditamos que temos forças para alcançar os objectivos que desenhamos. Acreditamos na nossa importância e no potencial que despontamos.

Mas há alturas em que tudo nos parece um castelo de cartas e quando uma peça se solta tudo ao redor parece desmoronar.  Pomos em causa valores, crenças e percursos que nos fizeram chegar ao patamar onde nos encontramos.

Ao nosso redor as pessoas que continuam a acreditar em nós proferem frases de incentivo, de estímulo e encorajamento. Mas ao escutá-las colocamos na nossa mente “ses” e “mas”, achamos que são amáveis, amorosas e verdadeiras amigas que estão lá a lançarem a linha com o isco que precisamos para nos erguermos, mas o mar continua revolto e o som não faz o eco que devia fazer dentro de nós.

Ao colocar tudo em causa, colocamo-nos a nós mesmos e quanto mais revolvemos a nossa mente, mais pensamentos negativos parecem surgir em catadupa. Estranhamente temos grande dificuldade em avistar os pontos positivos, o valor verdadeiro que temos ou o amor que merecemos.

Esta forma de amadurecer, é dolorosa. Às vezes não percebemos o que temos de modificar ou transformar, perder ou alcançar. Esperar que lá à frente, com o tempo, estejam as respostas também nos parece um espaço distante, de difícil alcance, quase como se estivessem numa galáxia distante ainda há espera de ser descoberta.

Somos mesmo o nosso próprio inimigo, somos os nossos piores críticos e somos hostis. Mudar os pensamentos talvez seja a primeira etapa para voltar a acreditar. Não temos de espelhar uma pessoa forte, cheia de certezas e segurança. Mas a verdade é que temos de continuar a acreditar que temos um espaço guardado algures, hoje ou amanhã não o vamos ver, mas ele vai ter de aparecer.

A torcer por todos os que precisam de acreditar que no espelho está alguém que merece encontrar o seu valor.

 

Esse vazio deixado por quem não nos faz falta

post 834

Há pessoas a quem damos algum poder de comandar os nossos pensamentos e vida, que confiamos, que julgamos amigos, companheiros, confidentes ou amores e quando partem temos de nos ajustar. Pessoas que com distância percebemos que nunca foram nada na nossa vida para além do papel primordial que lhes demos. Pessoas que vemos com os nossos olhos e com a nossa verdade.

Um dia abrimos os olhos para a vida e compreendemos que esse vazio que deixam … passa a ser um vazio só nosso.  Um vazio que nos faz pensar nas nossas próprias atitudes, na nossa capacidade de julgar os outros sem ser pela nossa realidade, que nos faz pensar que nem todos os que consideramos importantes o são verdadeiramente. Um vazio que nos faz perceber que nem todos são como nós, que não vivem pelos mesmos princípios e valores. Um vazio estranho que ocupa um lugar imenso. Um vazio que nos faz aprender a viver novamente.

Parabéns a ti que aprendes

Parabéns a ti que em cada dia aprendes mais sobre ti. Que aprendes que errar é humano. Que és imensamente forte para seguires em frente, sem queixas ou lamurias, aprendendo a ter um foco e a fazer escolhas com sensatez.

Parabéns a ti que tens um sonho. Que não desistes. Que mesmo com medo, voas. Que entendes que a vida é feita de obstáculos, problemas e tristeza. Que aprendes que muitas vezes o teu maior inimigo é a tua própria cabeça. Que a vida dá voltas e mais voltas. Que aceitas os defeitos dos outros, procuras perceber os teus e melhorá-los.

Parabéns a ti, que aprendes que abrir mão de algo importante só se faz quando um motivo maior se te apresenta. Que aprendes que na perca há ganhos. Que aprendes a recomeçar, agradecendo cada vitória, mesmo as pequeninas.

Parabéns a ti que aprendes a dar-te valor. Que mereces sempre melhor. Que percebes que o melhor da vida é grátis. Que o melhor presente é ter amor, paz e saúde. Que o tempo é precioso e não volta a trás. Que em todos os momentos podemos estar a criar memórias.

Parabéns a ti que aprendes que a vida é uma professora exigente. Que é bom ser simples. Que é importante seguir o conselho do coração, ouvindo a intuição.

Parabéns a ti que obedeces com amor. Que tens noção que as tuas palavras, gestos e acções fazem diferença na vida dos outros. Que reconheces a importância das pessoas que passam na tua vida.

Parabéns a ti que aprendes que

post 785

Podemos ficar indiferentes ao Natal?

Natal é sinónimo de mesa farta, família e solidariedade. Diz-se que o “Natal é quando um homem quiser”, espírito que devia perdurar e fazer eco todo o ano.

Natal é época de afetos. Quadra em que prestamos maior atenção aos outros, há união familiar e que nos faz sentir mais a falta de quem já não nos acompanha. Período que nos obriga a parar, refletir e buscar memórias. Altura em que descobrimos que crescemos e com isso perdemos alguma magia e fantasia. Quadra nunca indiferente, onde o que dói, dói mais e o que nos alegra nos eleva mais alto. Sorrimos com mais brilho acompanhando as luzes das ruas e das árvores.

Na mesa também teremos de conviver com a família e com os parentes. Sim por vezes, engolindo sapos e parecendo que estamos a prestar um falso sentimento, a não ser honestos connosco. Mas o Natal também é isso, fazer alguém de quem gostamos feliz e acompanhado. O Natal traz-nos os amigos mais para perto. Essa família que fomos escolhendo para fazer parte de nós. Presenças que nos aconchegam e participam.

Como tal, querendo ou não, não podemos ficar indiferentes ao Natal. Mesmo que os anos nos tenham levado pessoas importantes da nossa vida ou que o ano nos tenha passado rasteiras, há que celebrar a união daqueles que cá estão, que nos acompanham. E a vida é para ser celebrada. Cada vez mais! Celebremos a paz, as memórias e os testemunhos inspiradores de quem já não está. Celebremos a infância e a sua alegria, fantasia e entusiasmo. Celebremos os afetos. Celebremos as emoções. Celebremos a esperança.

Que este Natal possa ser para cada um de nós tão especial quanto possível. Quadra de união, afetos e emoções.  Construir memórias e espalhar amor. Estar presente e construir um “nós” melhor.

post 756

Feliz Natal!

Um beijo enorme

Mónica Gaspar

A sombra do medo

Há medida que crescemos vamos deixando o medo apoderar-se dos nossos pensamentos. Em criança os medos são muito fantasiados. Temos medo de monstros, fantasmas e escuro, por exemplo. Mas arriscamos! Com a idade estes medos transformam-se ou sofrem metamorfoses e deixam de ter nome … mas continuam e muitas vezes limitam as nossas escolhas, opções, liberdade e vida.

Quando nos tornamos pais, temos medo de que o nosso filho sofra. Se estamos solteiros de ficar sozinhos. Numa relação, que ela acabe. Se ganhamos ou entramos num projecto, temos receio que ele não vingue. Se um desejo finalmente é realizado, temos medo que seja um sonho, medo do dia seguinte e pavor de perder o tão almejado estado de graça. O medo está sempre lá, faz-nos não acreditar na plenitude e com receio de mostrar felicidade ou total gratidão. Este medo ensombra, cresce como uma erva-daninha, enreda-nos nas suas teias … está sempre presente, não nos deixa acreditar na totalidade e dá-nos sempre uma sensação de tristeza que pode nem ser real. O medo mascara a realidade e atrai mais medos que nos fazem reagir em vez de agir! Condiciona os dias, pensamentos, emoções e o nosso valor.

Tudo o que tiver de ser, será. Amadurecemos. Construímo-nos. E a vida gira e gira, nem sempre como ambicionamos, nem sempre a nosso favor, nem sempre como queremos. Temos de aceitar que para momentos de alegria, nascimentos e plenitude, existem momentos de perda, falhanços e morte. E as ilusões perdidas também nos constroem.

Temos de aprender a seguir com medo. Camões dizia que “nos perigos grandes, o temor é muitas vezes maior do que o perigo”. Temos de perceber que esse medo nos faz olhar para as conquistas com o cuidado e como conselho que estas nos podem merecer, mas nunca como limitação. Deixemos que o medo nos aponte o que é frágil e qual o caminho. Uma tarefa complicada, sendo um desafio é também uma oportunidade para demonstrar o nosso valor. Aprendamos que o medo é humano e que os outros também têm defeitos e receios.

O segredo é deixar o medo ficar na sombra como um amigo, mas vivendo, perseguindo os sonhos, buscando momentos que nos completem e deixem felizes. Acreditar na nossa capacidade de adaptação, aptidão de transpor obstáculos e coragem. Acreditar que somos fortes e completos!  E nunca, nunca esquecendo que os momentos vividos não se repetem e são preciosos.

post 742