Obrigada Heróis de Vermelho

bombeiros

A semana começa com cinzas e tristeza por este País. Sem que se perceba porquê, Somos um País que se destrói a si mesmo. Que se consome em chamas. Vivem-se momentos dramáticos e horríveis. Somos um País que nada aprende com os erros e cheio de teóricos. Somos um País que se deixa arder! Somos um País que se deixa tomar pelo Inferno!

Somos um País que nada aprende com os erros, que nada aprende com as mortes. Que nada sabe sobre as ajudas dadas às vitimas. Que não vê serem punidos incendiários. Que se enche de mirones para tirar fotos, mas pega pouco no carro para ir levar bens aos quartéis. Que mostra uma empatia ou compaixão momentânea pelas vidas humanas. Somos um país que se deixa arder e se mostra estúpido!

Obrigada Heróis de Vermelho, que por uma paixão que poucos percebemos, mas temos um imenso respeito, dão a vossa vida! Mais de 80% dos Bombeiros em Portugal são somente voluntários. Que aprendamos também a dar-vos mais, respeito não enche barriga, não vos trás mais meios, não vos dá mais formação. Obrigada, obrigada, obrigada por podermos contar convosco!

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Eu, Mãe vs começo de ano lectivo

regresso à escola

 

Somos todos criaturas de hábitos bem enraizados, por mais que gostemos de aventura, loucuras ou desvairos. O começo de cada ano lectivo faz-se cada vez mais de forma sofrida pela minha casa e pela minha saúde mental.

Todos os dias, tirando o mais novo, cada um dos mais velhos têm horas diferentes de entrada na escola, de saída e de almoço. Imaginem coordenar despertadores e coordenar o meu sentido de humor logo pela manhã.

Se por ventura no meio da minha rotina, mais funcional que racional, algum faz alguma pergunta ou tenho de socorrer algum pedido, na certa algo fica por fazer … normalmente o meu pequeno-almoço ou o lanche da manhã, aquele pãozinho desenxabido que na certa vai estar esfarelado a meio da manhã, mas que eles nem se dignam a fazer um pedido diferente, pois todas as mães sabem que as cantinas/bares das escolas estão repletas daqueles bichos maus em forma de bolos, que até são bem mais baratos que qualquer sandes, mas carregados de açúcar e escapes para mães menos “boas”.

Sento-me no carro e olho em redor, fazendo uma contagem mental, na certeza de que me esqueci de algo, mas felizmente de nenhum dos miúdos. Eu vivo numa cidade, relativamente fácil de percorrer, mas às 8h10 o caos instala-se. Podia acordar mais cedo, podia. Podia fazer tudo mais rapidamente, também podia!!! Todos os dias me recrimino do mesmo … não percebo porque falho!!! Talvez por de tempos a tempos sou brindada com uma birra matinal … quando olho para algum reparo que conseguem trazer roupas totalmente descabidas para a época do ano … quando vais a sair algum tem de ir à casa de banho … falta o brinquedo …

Mães de manhã carregadas de filhos nos carros são exímios corredores de automóveis, enquanto vão debitando todas as recomendações que os miúdos já ouviram milhentas vezes, mas que vão acenando afirmativamente com a cabeça, vai que a mãe se passa … triste sina, somos chatas, pouco alegres, stressadas e nada daquilo que sonhámos ser.

Normalmente o mais novo é ultimo a deixar na escola, só entra às 9h, quando olho, reparo que tem umas remelas a espreitar e vestígios do pequeno-almoço onde calha. Como magnífica cuidadora molho o dedo na boca e limpo todos os resquícios de sujidade. Está pronto, lindo, dou-lhe a mão e parece que nem levei já uma sova de vida, movimento e stress.

Os finais das tardes não têm sido também fáceis. Já comecei a adoptar o alarme do telemóvel como substituto de memória … podiam ter menos atividades, podiam, mas não têm nem quero. Mas posso queixar-me!!!! Acho que entre os momentos em que fazem o que gostam (futebol e dança) e aqueles que acho serem essenciais a um crescimento saudável e dos quais não abro mão (natação) encontro-me no leva e traz, deixa e recolhe e lá ando numa reviravolta novamente.

Quando chego a casa, cada um para sua divisão, cada um a fazer o que mais gosta (ainda não há trabalhos nem estudos, nem tudo no mundo está perdido …) Corro a fazer o jantar, colocar roupa a lavar, começar a pensar no dia seguinte – eu não disse que também corria a fazer o que mais gosto – E devemos tirar momentos de qualidade para brincar com eles … a que horas?

Tenho instituído que no mais tardar às 21h30 é hora de recolha e é a minha hora de me esparramar no sofá e ver na televisão alguma série. Se consigo? Raramente – mas tenho fé que este corre, corre, um dia destes vira rotina.

Fim de semana deveria ser para descansar, mas não no início do ano lectivo. Toda a semana foram um martírio para serem arrancados da cama, mas ao fim de semana já entraram na rotina. Há Roupa e calçado para ser reposto e há sempre listas de educação visual e educação tecnológica para comprar. O que eu acho enquanto compro os materiais é que é bom que deem um bom uso aos materiais, mas bastava um lápis, borracha e folhas de desenho (e digo-vos A3 recortando transforma-se em A4). Digam-me para quê lápis HB e B, tinta da china, aguarelas? Não estou a dizer que não são disciplinas importantes, mas estou a dizer que dão despesas extra e da qual se retiram poucos frutos … olhem este ano aproveitem e façam prendas para o natal, dias da mãe e pai …

E nem vou falar de reuniões de pais, sei que são essenciais, mas não podiam ser por Skype ou através de um curso de e-learning???

E esta tenho sido eu ultimamente … bendita maternidade que nos suga toda a energia e nos enche de amor.

Menos desculpas. Cuida de ti. Confia.

Muitos de nós permitimo-nos cair constantemente num padrão ou jogo viciado. Acontecimentos que se repetem na vida ou em relacionamentos. Rodas que sabemos como acabam, mas fazemos nova jogada com a esperança de estarmos errados. Apostamos em maus cavalos! Focamo-nos unicamente nos problemas, em esperanças vãs, nos medos de arriscar e perder ainda mais.

Nestas demandas esquecemo-nos de nós. De não ouvirmos unicamente aquela voz a que nos fomos habituando, que evidencia os nossos pontos fracos e à qual nos fomos formatando. Esquecemo-nos de ter coragem. De acreditar nas nossas forças e no nosso potencial. De aprender a esperar. De percebermos o que temos de manter e o que soltar.

Poucas vezes respondemos à interrogação que fazemos em voz alto: “O que poderei fazer além do que estou a fazer?”. Arranjamos desculpas para não pararmos, pensarmos e agirmos. Muitas vezes não abrimos mão daquelas bagagens que nos limitam.

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Bom percurso escolar meu filho

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O meu Henrique começou hoje o 1º ano. Pensamos que ao chegarmos ao terceiro filho tudo é mais fácil … como nos enganamos! Hoje fui confrontada com o facto que mesmo aqueles que tentamos manter como bebés, crescem, mesmo sem a nossa autorização. Levei-te à escola com o coração apertado e os olhos marejados de lágrimas apertadas na garganta.

Ao deixar-te na tua secretária acredito cada vez mais que o nosso papel na educação dos filhos não é cortar asas mas orientar o voo. Tu como irmão mais novo irás ganhar em vários “explicadores” para o bem e para o mal. Até porque és um perfeito mimado, mais até pelos teus irmãos do que por nós pais. Por vezes o teu irmão mais velho queixa-se que nós com ele fomos bem mais duros, mas é difícil chamar à razão alguém, quando os teus irmãos se riem, porque és engaçado.

Na mochila levaste imensos sonhos, vontades, curiosidade e receios. Como qualquer estreante de 1º ciclo e eu como qualquer mãe. Perdes em material e roupa nova, muita reciclagem, empréstimos e compras atempadas se fazem com o nosso crescer na escolaridade. Mas ganhas em companhia, a tua irmã fez questão de te levar ao teu primeiro dia e não sei se não estava tão ansiosa como eu!

Pequeno Henrique, desejo que conquistes os teus sonhos (de momento sei que o que queres é ser médico como o Hulk). Desejo que o teu caminho seja sempre de descobertas, nas boas e nas más cá estaremos para te apoiar! E desejo que mantenhas esse teu ar de felicidade e confiança.

Com o teu professor conto repartir a tua educação. Sim haverá pedaços nossos e porções imensas de alguém que fará parte do teu dia-a-dia, que será teu mestre e te vai ensinar tantas coisas novas e maravilhosas. Espero da escola tantas coisas, para além de todas aquelas coisas habituais como compreensão, discernimento, diálogo, tolerância, flexibilidade, empatia e reforço das tuas melhores qualidades, adorava que promovessem o uso do pensamento crítico, te ensinassem a chegar a resultados, conquistas e estratégias para colmatares os teus pontos fracos (sim meu amor também os tens!).

Agora aproveita, também, para fazer grandes amigos, para brincares e rir muito!

E pronto é oficial – já não há bebés nesta casa! Amo-te meu pequeno estudante!

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As surpresas da vida

A vida dá voltas, por vezes, inesperadas. Por mais que a ordem natural, muito apregoada seja: nascer, crescer, conhecer alguém e morrer, não me parece que nada seja tão simplista.

Nas voltas que a vida dá. Onde se enlaçam caminhos e pessoas, acontecimentos dão nós, esticam expectativas, construímos teias que emaranham os nossos pensamentos, fica lassa a nossa auto estima e nunca voltamos à forma original. A vida oferece-nos surpresas. Umas boas, outras más, umas gigantes, outras minúsculas, de distintos sabores e intensidades, umas onde intervimos outras completamente imprevisíveis.

Cada momento e cada pessoa que se cruza connosco é uma pequena surpresa, onde nunca sabemos o que nos reserva até o vivermos. Nas surpresas da vida, também estamos nós. A forma como reagimos, contra-atacamos, resistimos, protestamos, lutamos e amamos. E muitas vezes nestes pequenos gestos vamo-nos conhecendo melhor, descobrimos as nossas prioridades ou verdades e desenhamos novos caminhos.

Tudo se torna imprevisível, uma sucessão de momentos únicos. Acontecimentos que não estão planeados, que não conseguimos prever, para os quais nunca teremos todas as respostas (pois as perguntas nunca são iguais) e mesmo com bagagem suficiente, nem sempre reagimos da forma que nos orgulhamos mais.

Em vez de temeres as surpresas, desfruta da imprevisibilidade de cada instante, mesmo que adores tudo certinho. Nunca vais conseguir perceber tudo o que acontece, nunca vais conseguir ter todas as respostas correctas, nunca te vai acontecer somente o que aspiras ou sonhas, nunca vais conhecer somente pessoas boas ou certas, nunca vais ser somente uma reacção. Tem coragem, pois muitas vezes o que nos define é como nos levantamos depois da queda e haverá sempre outra perspectiva. E há surpresas realmente muito boas, maravilhosas e admiráveis.

 

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Mini Paleontólogos à solta na Lourinhã

Tenho uma pequena criatura cá por casa que adora dinossauros. Por vezes tenta ter comigo conversas, que acabam por me fazerem sentir inculta. Sim podia tentar aprender, como ele do alto dos seus 5 anos sabe nomes, alimentação e algumas curiosidades destes seres há muito extintos … mas não sendo o meu foco de interesse, não sou capaz de decorar nomes, mas sei o mais terrível e ameaçador – T-Rex.

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Hoje rumámos à Lourinhã, enquanto não há um verdadeiro parque, (que espero bastante criativo), os animais estão à solta pela cidade até porque se depender das crianças, estarão sempre presentes nas brincadeiras.

O tiranossauro rex, com 13 metros de comprimento, deteve-se junto à câmara municipal, todos os outros estão em pontos centrais. A visita não demora mais de uma hora, até porque no nosso caso, depois de verem um querem logo partir à descoberta do próximo. No posto de turismo oferecem o mapa do posicionamento destas réplicas e as pessoas pela rua ajudam a que a descoberta seja bem conseguida.

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Em Janeiro de 2018 contamos repetir a visita para poder contemplar as 120 réplicas à escala real que vão ficar a morar no Parque de Dinossauros da Lourinhã e aí descobrir muito mais, brincar e tirar mais milhentas fotos. Para já com este cheirinho ficámos muito curiosos.

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No passeio ainda encaixámos uma visita ao Museu da Lourinhã. Não é um museu grande, mas tem coisas interessantes. A inquietação dos pequenos é grande neste espaço, é que até chegar onde eles pensam que vai ser interessante, existem algumas salas que mostram como se vivia noutros tempos, tempos dos avós, com objectos bem preservados. Numa pequena casa, já no pátio, a Casinha Tradicional Saloia, recria uma verdadeira habitação de época e até descobriram um alguidar muito grande onde as pessoas tomavam banho noutros tempos.

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Se vale a pena? Quando se está à espera de se ver dinossauros, quando nos dizem que existem vestígios e depois temos uma salinha com um esqueleto e vários fósseis, sentimos que as nossas espectativas saem defraudadas. Tudo uma questão de espectativa! Mas adorei a enorme pegada!!!! (só por aqui valeu muito a pena). Mas tenho a noção que não fomos no melhor dos dias, a Lourinhã este fim de semana vai abrir portas para se posicionar como capital dos dinossauros e não pudemos ter visita guiada, que deve tornar tudo muito mais emocionante e interessante.

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Nós tínhamos coisas para fazer por casa. Mas vocês podem aproveitar o resto do dia para aproveitar a praia da Areia Branca ou visitar Peniche.

Para brincarem mais a paleontólogos, acreditem este é o melhor dos brinquedos ( e sim suja … o que torna tudo ainda mais real). Este kit formidável tem os “ossos” escondidos e verdadeiros instrumentos para levar a bom porto a descoberta e seguinte montagem do “esqueleto”. Nós compramos na loja Brinquedos criativos (vendem on-line)

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Preço do Museu da Lourinhã

0 aos 5 – grátis

6aos 11 – 2€

Cartão de estudante – 3€

Adultos – 4€

 

Preço do kit de escavação ( Brinquedos criativos) – 12,50€

Felicidade não é só alegria

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Temos a noção de que ser feliz é andar sempre alegre. A mim não me parece! Isso é ser tonto ou estar-se a mentir a nós mesmos.

Ser feliz e viver a vida é ter noção de que existem dias que estamos tristes, que não temos vontade, que estamos mais virados para nós, que precisamos de silêncio ou de abraços. É aceitar este estado melancólico que nos envia para um banco de memórias de perdas, erros, fracassos, insucessos, dificuldades, dor, angústia, etc. Muitas vezes ficamos tristes sem que encontremos uma razão ou motivo real para isso. A vida simplesmente parece perder o sentido por alguns instantes e por conseguinte isolamo-nos.

A tristeza não deve ser colocada de lado. Estar temporariamente triste não é depressão ou infelicidade. Como dizem alguns monges budistas, é melhor deixar que a tristeza chegue, e como as águas de um rio, flua no seu ritmo natural, permaneça o tempo que precisar e depois se vá embora, afinal, ela é importante para os reequilíbrios da mente, para desenhar novos caminhos, para fazermos as pazes connosco. Se não nos sentíssemos tristes, provavelmente não saberíamos o que é felicidade.

A obrigação de ser feliz e mostrar felicidade o tempo todo está a tornar-se uma obsessão elevada a um ponto de causar angústia. É irreal, falsa, mais partilhada e menos pessoal. Lembrem-se que não são infelizes, às vezes estão apenas infelizes.