Esse vazio deixado por quem não nos faz falta

post 834

Há pessoas a quem damos algum poder de comandar os nossos pensamentos e vida, que confiamos, que julgamos amigos, companheiros, confidentes ou amores e quando partem temos de nos ajustar. Pessoas que com distância percebemos que nunca foram nada na nossa vida para além do papel primordial que lhes demos. Pessoas que vemos com os nossos olhos e com a nossa verdade.

Um dia abrimos os olhos para a vida e compreendemos que esse vazio que deixam … passa a ser um vazio só nosso.  Um vazio que nos faz pensar nas nossas próprias atitudes, na nossa capacidade de julgar os outros sem ser pela nossa realidade, que nos faz pensar que nem todos os que consideramos importantes o são verdadeiramente. Um vazio que nos faz perceber que nem todos são como nós, que não vivem pelos mesmos princípios e valores. Um vazio estranho que ocupa um lugar imenso. Um vazio que nos faz aprender a viver novamente.

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Parabéns a ti que aprendes

Parabéns a ti que em cada dia aprendes mais sobre ti. Que aprendes que errar é humano. Que és imensamente forte para seguires em frente, sem queixas ou lamurias, aprendendo a ter um foco e a fazer escolhas com sensatez.

Parabéns a ti que tens um sonho. Que não desistes. Que mesmo com medo, voas. Que entendes que a vida é feita de obstáculos, problemas e tristeza. Que aprendes que muitas vezes o teu maior inimigo é a tua própria cabeça. Que a vida dá voltas e mais voltas. Que aceitas os defeitos dos outros, procuras perceber os teus e melhorá-los.

Parabéns a ti, que aprendes que abrir mão de algo importante só se faz quando um motivo maior se te apresenta. Que aprendes que na perca há ganhos. Que aprendes a recomeçar, agradecendo cada vitória, mesmo as pequeninas.

Parabéns a ti que aprendes a dar-te valor. Que mereces sempre melhor. Que percebes que o melhor da vida é grátis. Que o melhor presente é ter amor, paz e saúde. Que o tempo é precioso e não volta a trás. Que em todos os momentos podemos estar a criar memórias.

Parabéns a ti que aprendes que a vida é uma professora exigente. Que é bom ser simples. Que é importante seguir o conselho do coração, ouvindo a intuição.

Parabéns a ti que obedeces com amor. Que tens noção que as tuas palavras, gestos e acções fazem diferença na vida dos outros. Que reconheces a importância das pessoas que passam na tua vida.

Parabéns a ti que aprendes que

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Podemos ficar indiferentes ao Natal?

Natal é sinónimo de mesa farta, família e solidariedade. Diz-se que o “Natal é quando um homem quiser”, espírito que devia perdurar e fazer eco todo o ano.

Natal é época de afetos. Quadra em que prestamos maior atenção aos outros, há união familiar e que nos faz sentir mais a falta de quem já não nos acompanha. Período que nos obriga a parar, refletir e buscar memórias. Altura em que descobrimos que crescemos e com isso perdemos alguma magia e fantasia. Quadra nunca indiferente, onde o que dói, dói mais e o que nos alegra nos eleva mais alto. Sorrimos com mais brilho acompanhando as luzes das ruas e das árvores.

Na mesa também teremos de conviver com a família e com os parentes. Sim por vezes, engolindo sapos e parecendo que estamos a prestar um falso sentimento, a não ser honestos connosco. Mas o Natal também é isso, fazer alguém de quem gostamos feliz e acompanhado. O Natal traz-nos os amigos mais para perto. Essa família que fomos escolhendo para fazer parte de nós. Presenças que nos aconchegam e participam.

Como tal, querendo ou não, não podemos ficar indiferentes ao Natal. Mesmo que os anos nos tenham levado pessoas importantes da nossa vida ou que o ano nos tenha passado rasteiras, há que celebrar a união daqueles que cá estão, que nos acompanham. E a vida é para ser celebrada. Cada vez mais! Celebremos a paz, as memórias e os testemunhos inspiradores de quem já não está. Celebremos a infância e a sua alegria, fantasia e entusiasmo. Celebremos os afetos. Celebremos as emoções. Celebremos a esperança.

Que este Natal possa ser para cada um de nós tão especial quanto possível. Quadra de união, afetos e emoções.  Construir memórias e espalhar amor. Estar presente e construir um “nós” melhor.

post 756

Feliz Natal!

Um beijo enorme

Mónica Gaspar

A sombra do medo

Há medida que crescemos vamos deixando o medo apoderar-se dos nossos pensamentos. Em criança os medos são muito fantasiados. Temos medo de monstros, fantasmas e escuro, por exemplo. Mas arriscamos! Com a idade estes medos transformam-se ou sofrem metamorfoses e deixam de ter nome … mas continuam e muitas vezes limitam as nossas escolhas, opções, liberdade e vida.

Quando nos tornamos pais, temos medo de que o nosso filho sofra. Se estamos solteiros de ficar sozinhos. Numa relação, que ela acabe. Se ganhamos ou entramos num projecto, temos receio que ele não vingue. Se um desejo finalmente é realizado, temos medo que seja um sonho, medo do dia seguinte e pavor de perder o tão almejado estado de graça. O medo está sempre lá, faz-nos não acreditar na plenitude e com receio de mostrar felicidade ou total gratidão. Este medo ensombra, cresce como uma erva-daninha, enreda-nos nas suas teias … está sempre presente, não nos deixa acreditar na totalidade e dá-nos sempre uma sensação de tristeza que pode nem ser real. O medo mascara a realidade e atrai mais medos que nos fazem reagir em vez de agir! Condiciona os dias, pensamentos, emoções e o nosso valor.

Tudo o que tiver de ser, será. Amadurecemos. Construímo-nos. E a vida gira e gira, nem sempre como ambicionamos, nem sempre a nosso favor, nem sempre como queremos. Temos de aceitar que para momentos de alegria, nascimentos e plenitude, existem momentos de perda, falhanços e morte. E as ilusões perdidas também nos constroem.

Temos de aprender a seguir com medo. Camões dizia que “nos perigos grandes, o temor é muitas vezes maior do que o perigo”. Temos de perceber que esse medo nos faz olhar para as conquistas com o cuidado e como conselho que estas nos podem merecer, mas nunca como limitação. Deixemos que o medo nos aponte o que é frágil e qual o caminho. Uma tarefa complicada, sendo um desafio é também uma oportunidade para demonstrar o nosso valor. Aprendamos que o medo é humano e que os outros também têm defeitos e receios.

O segredo é deixar o medo ficar na sombra como um amigo, mas vivendo, perseguindo os sonhos, buscando momentos que nos completem e deixem felizes. Acreditar na nossa capacidade de adaptação, aptidão de transpor obstáculos e coragem. Acreditar que somos fortes e completos!  E nunca, nunca esquecendo que os momentos vividos não se repetem e são preciosos.

post 742

Amor não fere. Amor não mata.

Dia-Mundial-Combate-Violencia-Contra-Mulheres

Há amores que doem. Há amores que ferem. Há amores que são violentos. Amores que não deviam ter o nome de Amor.

Esperamos constantemente que o amor traga relações harmoniosas, paz, alegria, cumplicidade, carinho, companheirismo, respeito e amizade. E há dias em que nos apercebemos que nem sempre carrega tudo isto. Não estou a falar de desavenças, alterações de humor ou pequenos arrufos. Estou a falar mesmo de violência.

Muitas mulheres sofrem em silêncio com o medo de ficarem sozinhas, de esperarem que tudo um dia mude, que seja só uma fase, que não merecem mais do que o que estão a receber. Hoje lê-se em muitos órgãos de comunicação social que há países que não punem o assédio sexual, que perdoam estupradores que casam com as vitimas, que não punem a violência doméstica, que cerca de 24% das adolescentes e meninas (750 milhões) no mundo inteiro se casam antes dos 18 anos.

Esta semana, como um murro no estômago, vi morrer alguém próximo, vitima de um amor. Estamos acostumados a ler ou ouvir notícias, estamos habituados a ficar enojados ou tristes por ainda hoje acontecerem casos de violência. Nunca me tinha deparado com nada tão macabro tão perto. Os meus sentimentos conseguiram viajar por muitos quadrantes. Hoje com distância de dias, tenho pena de não ter feito mais, de não ter dado conta de nenhum sinal que pudesse encaminhar para um fim tão trágico. Posso falar dos meus sentimentos, mas não posso falar dos outros. Se julgo, internamente julgo, mas também devo respeito a quem ficou e por ainda não se saber toda a verdade, por isso não me vou alongar.

Mas hoje mais do que nunca digo que o amor não é violência, crueldade, punição, insultos ou controlo e  faz-me sentido gritar que: Não, os homens não são todos assim. Não, não estás sozinha. Não, não precisas de morrer para ter paz. Não, ninguém têm o direito de tirar o sorriso ou a vida a outrém!

Nunca te esqueças que não estás tão só como pensas! E mereces ser feliz!

Fica em paz minha querida S., as vivências que vivemos irão para sempre perpetuar nas nossas memórias e obrigada por tudo o que fizeste pelo meu filho.

Obrigada Heróis de Vermelho

bombeiros

A semana começa com cinzas e tristeza por este País. Sem que se perceba porquê, Somos um País que se destrói a si mesmo. Que se consome em chamas. Vivem-se momentos dramáticos e horríveis. Somos um País que nada aprende com os erros e cheio de teóricos. Somos um País que se deixa arder! Somos um País que se deixa tomar pelo Inferno!

Somos um País que nada aprende com os erros, que nada aprende com as mortes. Que nada sabe sobre as ajudas dadas às vitimas. Que não vê serem punidos incendiários. Que se enche de mirones para tirar fotos, mas pega pouco no carro para ir levar bens aos quartéis. Que mostra uma empatia ou compaixão momentânea pelas vidas humanas. Somos um país que se deixa arder e se mostra estúpido!

Obrigada Heróis de Vermelho, que por uma paixão que poucos percebemos, mas temos um imenso respeito, dão a vossa vida! Mais de 80% dos Bombeiros em Portugal são somente voluntários. Que aprendamos também a dar-vos mais, respeito não enche barriga, não vos trás mais meios, não vos dá mais formação. Obrigada, obrigada, obrigada por podermos contar convosco!

Eu, Mãe vs começo de ano lectivo

regresso à escola

 

Somos todos criaturas de hábitos bem enraizados, por mais que gostemos de aventura, loucuras ou desvairos. O começo de cada ano lectivo faz-se cada vez mais de forma sofrida pela minha casa e pela minha saúde mental.

Todos os dias, tirando o mais novo, cada um dos mais velhos têm horas diferentes de entrada na escola, de saída e de almoço. Imaginem coordenar despertadores e coordenar o meu sentido de humor logo pela manhã.

Se por ventura no meio da minha rotina, mais funcional que racional, algum faz alguma pergunta ou tenho de socorrer algum pedido, na certa algo fica por fazer … normalmente o meu pequeno-almoço ou o lanche da manhã, aquele pãozinho desenxabido que na certa vai estar esfarelado a meio da manhã, mas que eles nem se dignam a fazer um pedido diferente, pois todas as mães sabem que as cantinas/bares das escolas estão repletas daqueles bichos maus em forma de bolos, que até são bem mais baratos que qualquer sandes, mas carregados de açúcar e escapes para mães menos “boas”.

Sento-me no carro e olho em redor, fazendo uma contagem mental, na certeza de que me esqueci de algo, mas felizmente de nenhum dos miúdos. Eu vivo numa cidade, relativamente fácil de percorrer, mas às 8h10 o caos instala-se. Podia acordar mais cedo, podia. Podia fazer tudo mais rapidamente, também podia!!! Todos os dias me recrimino do mesmo … não percebo porque falho!!! Talvez por de tempos a tempos sou brindada com uma birra matinal … quando olho para algum reparo que conseguem trazer roupas totalmente descabidas para a época do ano … quando vais a sair algum tem de ir à casa de banho … falta o brinquedo …

Mães de manhã carregadas de filhos nos carros são exímios corredores de automóveis, enquanto vão debitando todas as recomendações que os miúdos já ouviram milhentas vezes, mas que vão acenando afirmativamente com a cabeça, vai que a mãe se passa … triste sina, somos chatas, pouco alegres, stressadas e nada daquilo que sonhámos ser.

Normalmente o mais novo é ultimo a deixar na escola, só entra às 9h, quando olho, reparo que tem umas remelas a espreitar e vestígios do pequeno-almoço onde calha. Como magnífica cuidadora molho o dedo na boca e limpo todos os resquícios de sujidade. Está pronto, lindo, dou-lhe a mão e parece que nem levei já uma sova de vida, movimento e stress.

Os finais das tardes não têm sido também fáceis. Já comecei a adoptar o alarme do telemóvel como substituto de memória … podiam ter menos atividades, podiam, mas não têm nem quero. Mas posso queixar-me!!!! Acho que entre os momentos em que fazem o que gostam (futebol e dança) e aqueles que acho serem essenciais a um crescimento saudável e dos quais não abro mão (natação) encontro-me no leva e traz, deixa e recolhe e lá ando numa reviravolta novamente.

Quando chego a casa, cada um para sua divisão, cada um a fazer o que mais gosta (ainda não há trabalhos nem estudos, nem tudo no mundo está perdido …) Corro a fazer o jantar, colocar roupa a lavar, começar a pensar no dia seguinte – eu não disse que também corria a fazer o que mais gosto – E devemos tirar momentos de qualidade para brincar com eles … a que horas?

Tenho instituído que no mais tardar às 21h30 é hora de recolha e é a minha hora de me esparramar no sofá e ver na televisão alguma série. Se consigo? Raramente – mas tenho fé que este corre, corre, um dia destes vira rotina.

Fim de semana deveria ser para descansar, mas não no início do ano lectivo. Toda a semana foram um martírio para serem arrancados da cama, mas ao fim de semana já entraram na rotina. Há Roupa e calçado para ser reposto e há sempre listas de educação visual e educação tecnológica para comprar. O que eu acho enquanto compro os materiais é que é bom que deem um bom uso aos materiais, mas bastava um lápis, borracha e folhas de desenho (e digo-vos A3 recortando transforma-se em A4). Digam-me para quê lápis HB e B, tinta da china, aguarelas? Não estou a dizer que não são disciplinas importantes, mas estou a dizer que dão despesas extra e da qual se retiram poucos frutos … olhem este ano aproveitem e façam prendas para o natal, dias da mãe e pai …

E nem vou falar de reuniões de pais, sei que são essenciais, mas não podiam ser por Skype ou através de um curso de e-learning???

E esta tenho sido eu ultimamente … bendita maternidade que nos suga toda a energia e nos enche de amor.